quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

 

Estive pensando e acho que o mundo todo é viciado em drama!

Por que amor e felicidade são menos importantes que dor e sofrimento?


Você já reparou que somente histórias envolvendo algum sofrimento nos livram de um compromisso? Se uma pessoa chega atrasada na escola, a um jantar ou ao trabalho, diz que foi o pneu que furou, uma carreta virada na esquina, o velório da tia-avó ou a gripe do periquito que atrapalhou. SEMPRE problemas. Imagine só se uma amiga sua chega no meio da aula e explica, feliz da vida, para o professor: "No meio do caminho encontrei um cara lindo, a gente começou a conversar e quando eu vi, já tinham se passado quarenta minutos... Posso fazer a prova?"


Na "minha" faculdade, no mínimo, o meu professor iria falar:
-Advogado não tem vida, tem prazo... blablabla... Então você não pode, respeite os horários, imagine em audiência... e mais blablabla.


Não ia dar certo. Já se ela aparecesse dizendo: "Putz, professor, o pneu do ônibus furou, o motorista foi trocar e teve um torcicolo, não conseguia se mexer. Nesse momento os assaltantes chegaram e me fizeram de refém. Minha mãe foi tirar o dinheiro pra pagar o resgate e a máquina engoliu o cartão. Tivemos que pedir dinheiro emprestado pra minha avó e por isso cheguei agora". Aí sim, ela poderia assistir a aula.


Nessas e noutras situações tenho a impressão de que vemos o sofrimento e a dificuldade como mais nobres do que a felicidade e a facilidade.


Já presenciei uma conversa em que pessoas competiam pra ver quem sofria mais. Uma disse que pegava dois ônibus até a faculdade. A outra falou: "Eu tenho que pegar dois ônibus e andar uns 15 minutos". Uma terceira sorriu, porque a parada estava ganha: "Eu tenho que pegar dois ônibus, ando 20 minutos, acordo de madrugada, moro no interior, venho no onibus da prefeitura e ainda passo o dia no trabalho" Eu, que moro relativamente longe, vou todos os dias e volto de carro, não trabalho, fiquei quieta, envergonhada.


Não é a toa que o sofrimento é tão valorizado em nossa sociedade. Afinal de contas, há 2011 anos o nosso maior símbolo é um homem pregado na cruz. O filho de Deus, que morreu por nós. Por isso, dizem os religiosos fervorosos, temos que ter uma vida de sofrimento e humildemente aceitar as desgraças.


Que horror! Imagine que bom se, em vez de crucifixo, cultuássemos um Jesus tomando banho de rio? As pessoas levariam no pescoço pingentes do filho de Deus se preparando para um mergulho, tomando sol ou dando um presente! Melhor ainda, se nos altares Jesus estivesse dando um beijo apaixonado numa namorada (porque esta história de celibato, é insuportável, Jesus era um homem como qualquer um da época, provável que tenha casado e até tido filhos).


Aí ao passarmos por uma igreja ou cemitério, não faríamos o sinal da cruz, mas daríamos um beijo. E aprenderíamos, desde criançinhas, que o filho de Deus veio ao mundo para beijar o próximo e mostrar que o amor e a felicidade devem ser mais valorizados que dor e sofrimento. Se fosse assim, quando a garota atrasada contasse a história do garoto lindo e da conversa, a professora daria um sorriso e a convidaria a entrar, sabendo que aquela aluna já havia aprendido o mais importante sobre a vida.

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