domingo, 16 de outubro de 2011


"...acima de tudo, você é o primeiro homem que amei verdadeiramente. E não importa o que o futuro traga, você sempre será, e sei que minha vida é melhor por causa disso."

Tentar começar o trabalho de processo penal, mais tarde visitar a construção da casa do Cecel com o Jonas e sem esperança que o André apareça =*


Porque nos apaixonamos por uma pessoa mesmo sabendo que é a pessoa errada??? Já aprendi a resposta, porque você espera estar enganada, e sempre que ele faz algo que mostra que ele não é bom, você ignora, e sempre que ele age bem e te surpreende, ele te reconquista. E aí você esquece a ideia de que ele não serve para você.
Verdade seja dita: eu gostava da sua mentira, gostava porque eu seguia acreditando, e de tanto mentir eu desejava que um dia se tornasse verdade. É duro passar muito tempo procurando razões, respostas... mas não se pode achar o que não existe.
Mas se vale a pena, vale também, a dor, a ferida, o sofrimento. Vale a espera, o cansaço, a exaustão. As lágrimas (rios) no fim da noite e as borboletas no estômago por qualquer coisa. Se vale a pena, nenhum obstáculo é em vão (será???).

sábado, 15 de outubro de 2011

                                                                           Mon Père

Acordei cedo, assisti Amizade Colorida com André, fizemos um juramento que nunca vamos colorir a nossa amizade, que ela é perfeita por ser em preto e branco, depois mimamos a nossa Lara, levamos nossa princesa para tomar sorvete, voltei pra casa e estudei um pouco sobre a segunda fase do Tribunal do Juri (muito chato, diga-se de passagem) e matei mais um pouquinho a saudade de Machado de Assis (esses livros ficam bem mais divertidos quando não são lidos por obrigação) hoje foi a vez de Dom Casmurro.

Fiquei pensando em Capitu... não sei como não me cansei disso, posso prever o futuro, mas o dispenso. Acredito que devo gostar. Engraçado é que já apanhei horrores, acho que estou condicionada a ser uma pessoa substituta (como alguém racional pode aceitar isso??) Mas todo mundo é, a gente acha que é especial na vida de alguém, mas na maioria das vezes estamos apenas tapando buracos. Sempre vai ser assim, vamos dar o nosso melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que essa pessoa fique bem e nos deixe para trás, fraca e sangrando. Aos poucos vamos esquecendo os socos que a vida nos oferece. Não sou Capitu, mas também tenho olhos de ressaca, sigo em frente. Não por ser forte. Simplesmente porque sei que sou fraca para conseguir ter ódio nesse coração.

Mais um dia de Machado de Assim - Dom Casmurro

"Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera delas, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada." Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura era minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem e ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...
Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fuido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando evolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os seus inimigos; assim também a quantidade das delícias que terão gozado no céu os seus desafetos aumentará as dores aos condenados do inferno. Este outro suplício escapou ao divino Dante; mas eu não estou aqui para emendar poetas. Estou para contar que, ao cabo de um tempo não marcado, agarrei-me definitivamente aos cabelos de Capitu, mas então com as mãos, e desse-lhe,-para dizer alguma coisa,-que era capaz de os pentear, se quisesse."

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Cansada =/ palavra que anda me definindo muito bem.

Tenho gostos estranhos, um deles é de ficar sozinha no meu canto. Não me interpretem mal, não sou uma anônima, mas preciso desses momentos de silêncio, eles são extremamente raros e agradáveis, então me empenho em saborea-los.
O final do dia foi dedicado a mim, com pequena pausa (quase 2 horas) para saber como foi o dia do querido André. Matei a saudade de Machado de Assis, A mão e a luva é um livro que jamais ouvi falar, comprei recentemente. A início conta a história de dois rapazes, grandes amigos, e nesta cena em especial Luís Alves consola Estevão por motivo de grande desilusão amorosa, provocada por Guiomar, seu grande amor. Li o seguinte:

"Luís Alves aproveitou para falar-lhe de cem coisas alheias ao coração e diverti-lo do pensamento que o absorvia. Conseguiu seu intento durante meia hora, e conseguiu mais, porque fez com que o colega risse, a princípio de um riso amargo e dúbio, depois de um riso jovial e franco incompatível com intuitos trágicos. Mas aí, triste! A dor dele era uma espécie de tosse moral, que aplacava e reaparecia, intensa às vezes, às vezes mais fraca, mas sempre infalível. O rapaz acertara de abrir uma página de Werther, leu meia dúzia de linhas, e o acesso voltou mais forte que nunca.

Luís Alves acudiu-lhe com as pastilhas da consolação; o acesso passou; nova palestra, novo riso, novo desespero, e assim se foram escoando as horas da noite, que o relógio da sala de jantar batia seca e regularmente, como a lembrar aos dois amigos que as nossas paixões não aceleram nem moderam o passo do tempo."


e assim vai terminando minha sexta. Ouço os pensamentos de Machado e os misturo com os meus próprios, deitada na rede balançando lentamente, enquanto o mundo insiste em girar e o tempo não para.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

É fácil amar o outro em restaurante, o papo fui, o riso é farto, a comida é boa, assim é muito fácil. Difícil é amar quando o outro desaba, quando não acredita em mais nada e entende tudo errado, paralisa. Difícil amar  quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que esteja. Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Mas esse talvez seja, sim, o tempo que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de algo que faça com que a dor desapareça, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor. 

Muu Deuus... ele é o colirio do meu ôiu, o chiclete garrado na minha carça dins, é a maioness do meu pão, é o cisco no meu ôiu (o ôtro oiu - eu ten dois), o rechei do meu biscoitim, o vidreperfume da minha pintiadêra. Nossinhor Jisuis Cristo! Gosto dimais, meu tisôrim.  

Cheguei até pensar que não era preciso ter alguém ao lado para ser feliz, e então eu te conheci. 


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Perder o braço direito?? não não, direito, esquerdo, as duas pernas e o coração.

É ruim demais quando não consegue segurar para chorar quando liga o chuveiro, assim ninguém percebe. Refletir sobre a vida antes de dormir e se certificar de que ninguém está ouvindo, para começar a soluçar. Precisar fingir que que vai ao banheiro, ou beber água, apenas para lavar o rosto e se recompor. Aquele medo de não ser forte o suficiente para segurar as lágrimas quando está em público. Aquela sensação de que pegaram a sua traqueia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada. Aquele nó enorme na garganta, que sufoca, até que você cede e chora. A dor sambando no peito com salto agulha. Vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo, encarnar numa samambaia ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Sentar na cama, pegar o travesseiro e chorar tanto, mas tanto, que se surpreende com o rio que terá que esconder da sua família. Acredite, eu sei. Mas quem disse que a gente tem que ser feliz?? isso é bobagem, a gente apenas tem que sobreviver.

domingo, 2 de outubro de 2011



Resumo do dia: 1- Acordar em péssimo estado depois de passar a madrugada ouvido Coldplay e chorando horrores 2- Terminei de ler um artigo 3- Quase duas horas de conversa no celular com o Cecel 4- Assisti Marcelo Camelo (Los Hermanos) no Rock in Rio 5- Me afoguei em pensamentos.

Depois de conversar com Cecel, pedindo conselhos do que uma "amiga" deve fazer (eu ainda acho que ele acredita que seja uma amiga) tomei ciência que eu... ops! ela não fez nada de errado, fez tudo certo, sempre deu o melhor de si, que quanto ao que ta acontecendo ela não pode fazer mais nada, além de esperar. Não pode ser que tudo que foi feito seja em vão, que toda dedicação e todo carinho sejam jogados fora como se nada tivesse acontecido. Não é fácil enfrentar a saudade, não mesmo. Ela nada mais é do que o peso sufocante de quem viveu bons momentos, esse é o preço que se paga.

Palavras e gestos tão simples, tão fáceis, que infelizmente estão entrando em extinção. Não que esteja promovendo favores esperando reconhecimento e nem algo em troca, mas quando se faz tudo por uma pessoa e no momento que você precisa ela não ta do seu lado acaba machucando. Olhe que não existe nada mais gratificante que saber que confortamos alguém especial, que seu dia foi mais alegre apenas por nosso suporte, com nossa companhia, isso faz um bem enooooorme.

Já sabia que esse começo seria difícil, sabia que esse momento de adaptação, de conhecer o novo, sair da zona de conforto e de segurança. Começar é sempre uma tortura para chegar em algo que será extremamente bom, o segredo é apenas não fraquejar. Começar é trocar o pão pelo biscoito. Começar é saber que cebolas são disfarces para quem tem vergonha do choro. Amores se fortificam nessas situações, as palavras certas sempre virão de pessoas que se importam com você. Começar pode ser aos 20 ou aos 34. Começar pode ser ao som de Los Hermanos ou ao som de sertanejo. Começar é dar possibilidade de que alguma coisa aconteça aqui. Em alguns momentos você me decepcionará, em outros eu irei te frustar, mas se tivermos coragem para reconhecer os erros, habilidade para sonharmos juntos e capacidade para recomeçarmos tudo de novo tantas vezes quantas forem necessárias, então isso será "imortal".

Tenho um amor que não é fácil de compreender porque é confuso. A confusão é quase uma solidão adicional... ai ai ai meu Deus, essa minha carência insolúvel. Essa sou eu: que vai pela pela esperança da volta.