sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Cansada =/ palavra que anda me definindo muito bem.

Tenho gostos estranhos, um deles é de ficar sozinha no meu canto. Não me interpretem mal, não sou uma anônima, mas preciso desses momentos de silêncio, eles são extremamente raros e agradáveis, então me empenho em saborea-los.
O final do dia foi dedicado a mim, com pequena pausa (quase 2 horas) para saber como foi o dia do querido André. Matei a saudade de Machado de Assis, A mão e a luva é um livro que jamais ouvi falar, comprei recentemente. A início conta a história de dois rapazes, grandes amigos, e nesta cena em especial Luís Alves consola Estevão por motivo de grande desilusão amorosa, provocada por Guiomar, seu grande amor. Li o seguinte:

"Luís Alves aproveitou para falar-lhe de cem coisas alheias ao coração e diverti-lo do pensamento que o absorvia. Conseguiu seu intento durante meia hora, e conseguiu mais, porque fez com que o colega risse, a princípio de um riso amargo e dúbio, depois de um riso jovial e franco incompatível com intuitos trágicos. Mas aí, triste! A dor dele era uma espécie de tosse moral, que aplacava e reaparecia, intensa às vezes, às vezes mais fraca, mas sempre infalível. O rapaz acertara de abrir uma página de Werther, leu meia dúzia de linhas, e o acesso voltou mais forte que nunca.

Luís Alves acudiu-lhe com as pastilhas da consolação; o acesso passou; nova palestra, novo riso, novo desespero, e assim se foram escoando as horas da noite, que o relógio da sala de jantar batia seca e regularmente, como a lembrar aos dois amigos que as nossas paixões não aceleram nem moderam o passo do tempo."


e assim vai terminando minha sexta. Ouço os pensamentos de Machado e os misturo com os meus próprios, deitada na rede balançando lentamente, enquanto o mundo insiste em girar e o tempo não para.

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